A imagem como linguagem
A consultoria de imagem parte da premissa de que roupas, gestos, cenários e símbolos não são neutros: eles comunicam mensagens. No universo das figuras públicas, essa comunicação estética é deliberada, planejada e, muitas vezes, estratégica. O caso de Virginia Fonseca é emblemático para observar como a imagem pessoal pode ser usada como ferramenta de marketing e narrativa.
O caso da CPI das Bets

Em setembro de 2025, Virginia Fonseca foi convocada a depor na CPI das Bets. A audiência, transmitida nacionalmente, era um momento de exposição de alto risco. Sua escolha visual chamou atenção:
- Look: moletom oversized estampado com a foto da filha, jeans largo, cabelo solto, maquiagem leve.
- Acessórios: uma garrafa térmica cor-de-rosa personalizada.
Esse conjunto construiu uma estética de simplicidade e maternidade, projetando vulnerabilidade e proximidade com o público. Ao se apresentar dessa forma em um ambiente formal e de poder, a mensagem visual reforçava a ideia de “figura humana e familiar” em contraste com o peso institucional da CPI.
Aqui, a roupa não era apenas roupa: era um discurso visual, que atuava como camada de narrativa junto às palavras.
Do institucional ao espetáculo: o vestido na festa de Neymar Jr.

Pouco depois, Virginia apareceu em uma festa associada ao jogador Neymar Jr. com um vestido transparente e ousado, comparado por parte da mídia ao look usado anteriormente por Bruna Marquezine.
O episódio ganhou novas camadas quando veículos de imprensa lembraram que Bruna Biancardi, ex-companheira e mãe da filha de Neymar, teria se sentido desconfortável em ocasiões semelhantes no passado. Esse detalhe trouxe não apenas o debate sobre estilo, mas também sobre como roupas podem provocar reações emocionais em contextos sociais específicos.
Nesse caso, a imagem comunicava outra mensagem: ousadia, sensualidade, visibilidade. O vestido tornou-se pauta midiática, multiplicando menções e gerando debate.
O contraste é claro: enquanto na CPI ela utilizou a estética da vulnerabilidade, no ambiente festivo assumiu a estética da provocação e do impacto visual. Duas estratégias diferentes, mas igualmente comunicativas.
O marketing da imagem
Esses episódios mostram como a imagem pode ser recurso de marketing pessoal:
- Narrativa situacional: a estética muda conforme o ambiente — fragilidade em contextos de julgamento, ousadia em contextos de espetáculo.
- Amplificação midiática: roupas polêmicas ou contrastantes atraem cobertura jornalística e comentários em redes sociais, expandindo alcance.
- Flexibilidade simbólica: a alternância de estilos permite transitar entre diferentes arquétipos — a “mãe”, a “figura comum”, a “mulher poderosa”.
- Engajamento digital: cada escolha estética se torna conteúdo comentado, compartilhado e reinterpretado pelo público.
O que aprendemos com esse caso
- Imagem não é neutra: cada escolha estética é lida como discurso.
- Contexto é determinante: o mesmo look pode ter leituras diferentes dependendo do ambiente em que aparece.
- A estética pode ser estratégica: quando bem calculada, ajuda a moldar narrativas e gerenciar percepções.
- Coerência narrativa é chave: mudanças de estilo podem ser vistas como versatilidade — mas também exigem consistência para não parecer desconexão.
Adequação como reflexão
A trajetória recente de Virginia Fonseca demonstra, na prática, como a imagem pessoal funciona como ferramenta de marketing. Entre o moletom maternal na CPI e o vestido ousado em uma festa, a figura pública se reinventa, adapta-se e comunica mensagens distintas para públicos diferentes.
Mas o episódio das festas ligadas a Neymar Jr. abre espaço para uma reflexão: até que ponto os looks escolhidos em contextos sociais, especialmente quando envolvem figuras públicas com histórico de relacionamentos, são adequados? Veículos de imprensa lembraram que Bruna Biancardi, ex-companheira de Neymar e mãe de sua filha, teria se sentido desconfortável em ocasiões passadas por escolhas estéticas semelhantes. Isso reforça que a consultoria de imagem não se limita a avaliar estilo ou tendência, mas também contexto, timing e impacto relacional.
O vestido certo, no momento certo, pode fortalecer narrativas. O vestido errado, no ambiente errado, pode gerar desconfortos desnecessários. Mais do que estética, trata-se de estratégia: a roupa, o cenário e o gesto compõem uma linguagem visual que estrutura a narrativa pública e cuja adequação deve ser sempre observada como parte do discurso de imagem.
E você, leitora, o que pensa? Os vestidos usados nessas festas seriam adequados ao contexto? Até onde a ousadia contribui para fortalecer uma imagem, e quando ela passa a gerar ruído?











